"Quem sou eu? Não sei,não lembro"

Quero guardar,o que não guardaria por não mais lembrar.E aqui,sei que vai estar guardado para que me possa lembrar futuramente de quem eu fui,minhas emoções,gostos,experiências e evoluções.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eterna saudades e o amargo sabor da não despedida

     A alvorada dessa que se postava,não pairou sobre o sorriso que não se empenhou em brotar.
     Céu ofuscante. Manhã fria.
     O sol incessantemente tentava esquivar-se com anseio de brilhar entre as nuvens,que persistia em descarregar lágrimas de uma tristeza que agora sangra. 
     E o sabor mais amargo que o sabor do Luto: O de não poder se despedir!
     
     Eu não sabia,e não era o que eu desejava ouvir naquela manhã.
     Ele havia partido para a Glória!
     Como pôde partir sem antes esperar para me despedir?
     Me sentiria mais aliviada se pudesse vê-lo pela última vez.
     Me anestesiaria ter em mente seu último olhar.
     Mas a culpa não foi sua. Não há de quem seja a culpa.
     Havia chegado sua hora e ele sabia que não mais voltaria.
     Ah,como acreditei que voltaria a vê-lo toda vez que chegasse em sua casa...
que encontraria seu corpo repousando sobre a cadeira de balanço,estático,mergulhado no cochilo da tarde;ou quando desperto,ouvir seus resmungos sempre que contrariado.
     Ele era o meu Velho,brincalhão e caçoador que inventava qualquer motivo para fazer graça. E que graça!
     Havia nele um jeito sincero de falar de Jesus,nas canções que ele mesmo compunha . Eram canções pobres em melodia e ritmo,porém rica nos sentidos de suas palavras.
     O timbre da sua voz,ainda que morta,ecoa mais que viva com seu sotaque nordestino em minha mente.
     Ainda posso ouvi-lo cantando,posso vê-lo brincando...Mas por quanto tempo mais?! 
     Presa no medo de perdê-lo de minhas lembranças,temo não suportar mais uma perda além da sua.
    
     Por isso rogo a ti Óh Pai,permita que tenha sempre em mim,uma lembrança daquele que sempre foi fiel a ti;aquele que cativava a todos com seu jeitinho de ser,diferente e especial.E que sempre mantenha viva em mim todas as lembranças dos momentos que pude passar ao lado dele.
     E assim,sempre o guardarei em mente,coração e alma. Porque jamais o esquecerei!
     Guardo a certeza que,lá do paraíso celestial juntamente com o meu Papai do Céu,estará olhando por todos nós!


     
      Agora deixo,em homenagem a JOSÉ SILVESTRE DE LIMA (meu avô materno),essa pequena postagem
em que pude tentar esboçar um tantinho de sentimento escrito,mas que incomparável ao que sinto.
     Sei que o senhor está lendo nesse exato momento...e sei que sabe que todos nós sentimos sua falta.
    
     E aqui eu digo o que não pude dizer antes de nos deixar: EU TE AMO!
     Saudades eterna,meu avô querido.
     Descanse em paz!

                                                                                                       JULIANA LIMA
     (24/08/2010)