"Quem sou eu? Não sei,não lembro"

Quero guardar,o que não guardaria por não mais lembrar.E aqui,sei que vai estar guardado para que me possa lembrar futuramente de quem eu fui,minhas emoções,gostos,experiências e evoluções.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A menina que roubava livros

"Primeiro,as cores.
     Depois,os humanos.
     Em geral,é assim que vejo as cores.
     Ou,pelo menos,é o que tento.
    
               * EIS UM PEQUENO FATO *
                     Você vai morrer.
                                          
     Com absoluta sinceridade,tento ser otimista a respeito de todo
esse assunto,embora a maioria das pessoas sinta-se impedida
de acreditar em mim,sejam quais forem meus protestos.
Por favor,confie em mim. Decididamente,eu sei ser animada,
sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As.
Só não me peça para ser simpática.
Simpatia não tem nada a ver comigo
                                          
               * REAÇÃO AO FATO SUPRACITADO *
                           Isso preocupa você?
                        Insisto - não tenha medo.
                         Sou tudo,menos injusta.
                                 ....................

      O que me traz à minha colocação seguinte.
      São os humanos que sobram.
      Os sobreviventes.
      É para eles que não suporto olhar,embora ainda falhe em muitas
ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça,
mas,vez por outra,sou testemunha dos que ficam para trás,
desintegrando-se no quebra cabeça do reconhecimento,do desespero
e da surpresa. Eles têm coração vazados. Têm pulmões esgotados.
      O que,por sua vez,me traz o assunto de que lhe estou falando
esta noite,ou esta manhã ou seja lá quais forem a hora e a cor.
É a história de um desses sobreviventes perpétuos-uma especialista
em ser deixada para trás.

      É só uma pequena história,na verdade,sobre,entre outras coisas:
* Uma menina
* Algumas palavras
* Um acordeonista
* Uns alemães fanáticos
* Um lutador judeu
* E uma porção de roubos

      Vi três vezes a menina que roubava livros.

               * UM ANÚNCIO TRANQÜLIZADOR *
   Por favor,mantenha a calma,apesar da ameaça anterior.
                               Sou só garganta...
                               Não sou violenta.
                               Não sou maldosa.
                               Sou um resultado."
                                  ..................




      Entre 1939 e 1943,Liesel Meminger encontrou a morte
três vezes.E saiu suficientemente viva das três ocasiões para
que a própria,de tão impressionada,decidisse nos contar sua
história,em "A menina que roubava livros".

      Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel,numa área
pobre de Molching,cidade próxima a Munique,ela precisou
achar formas de se convencer do sentido de sua existência.
      Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe,
a menina foi largada para sempre as cuidados de Hans e Rosa
Hubermann,um pintor desempregado e uma dona-de-casa
rabugenta. Ao entrar na casa nova,trazia escondido,na mala,
um livro, "O Manual do coveiro". Num momento de distração,
o rapaz que enterrara seu irmão o deixara cair na neve. Foi o
primeiro dos vários livros que Liesel roubaria ao longo dos
quatro anos seguintes. E foram esses livros que nortearam a
vida de Liesel naquele tempo,quando a Alemanha era
transformada diariamente pela querra,dando trabalho dobrado
à Morte. O gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e
uma ocupação;a sede de conhecimento deu-lhe um propósito.

E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas,as destacou,
elas seriam,mais tarde,aplicadas ao contexto da sua própria
vida,sempre com a assitência de Hans,acordeonista amador e
amável,e Max Vanderburg,o judeu do porão,o amigo quase
invisível de quem ela prometera jamais falar. Há outros
personagens fundamentais na história de Liesel,como Rudy Steiner,
seu melhor amigo e o namorado que ela nunca teve.
E a mulher do prefeito,sua melhor amiga,que ela demorou a
perceber como tal.
 

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